Monday, October 30, 2006

Eu fico a remoer as figuras do meu passado presente sem futuro. Como uma pétala de rosa, desço rumo ao vão profundo que é a escuridão. Vejo minha alma flutuar sobre as nuvens,
mas não vejo minha sombra. Tão rápido quanto o apagar da chama do isqueiro, o lago vira céu, o céu vira mar, assim, repetidamente, me fazendo andar em círculos. Fico a consumir
as horas com aqueles pensamentos que só fazem distorcer a cabeça. A cada segundo o retorno do herói se conclama como se não houvessem mais flores nos meus jardins. Como
foi bom pensar que a vida era complicada, cheia de gato e sapato, onde eu ficava preso num círculo rotineiro de repetidas conclusões. A imagem entorpecida da luz em meus olhos
não me faz enxergar que, por trás da cortina, a peça segue... Mas hora ou outra, desfaço minhas malas e embarco num navio rumo à liberdade, fora dos nós que me prendem aos
portos. Tudo agora parece tão simples, e o centro do universo transforma-se no leve sacolejar da caneta sobre o papel. Abro os olhos, e esqueço que estou respirando. Uma leve brisa
a me acordar, apenas para lembrar que a onda só acaba na margem do mar.

Minhas idéias voam sobre os mais altos escalões hierárquicos dos pelotões, mas não sou capaz de toca-los. Que bom tive minha caverna, para me ilusionar que tudo era perfeito e
lúcido, que tudo era mutável (só nao me dava conta que só o tempo e o vento moldam as rochas onde me atiro, vez ou outra). Todos girávamos para o mesmo "lado". O sol chega, para
roubar as canções dos corações dilacerados, e tudo vira cinza. Do último andar vejo meu corpo sendo tomado, sinto-me como uma personagem de um livro. Mais um degrau, e tudo bem.
Mais outro degrau e nada mais. Num surto de felicidade, vejo os prédios e as estruturas circulares aumentando, imponentes, suas sombras me cobrem. A sombra me cobre, ou eu cubro-me de sombra?
Com o cair inaudível de uma pena, vejo meu corpo estatelado ao chão, com estilhaços de vidro na mão esquerda, e sigo para o inferno.

1 Comments:

Blogger Pedro said...

Uma bosta, escrevi em 10 minutos.

11:25 AM  

Post a Comment

<< Home